25.2.10

o tempo que tu passas a contar


gosto do teu cheiro a pele sedenta
com sardas de canela a enfeitar
pintadas por beijos (são oitenta)
de lábios sequiosos por beijar

oitenta são os tempos que eu tenho
parados, prontos para te abraçar
relógios sem corda que desenho
estão presos por desejos de amar

o tempo que tu contas com sorrisos
são contas de marés a ondular
são horas com minutos indecisos
que teimam em pensar para passar

é tempo do bater do coração
o tempo que tu passas a contar
é voo interior de solidão
com asas sobre o mar que há-de findar

5 comentários:

lagrima disse...

Só p'ra dizer que..., passei por aqui outra vez!
Teu poema..., encantadoramente lindo!

".......
oitenta são os tempos que eu tenho
parados, prontos para te abraçar
relógios sem corda que desenho
estão presos por desejos de amar
......"

... a ternura com que paras os teus tempos com desejos de amar e oitenta beijos para dar...

És incomparável, Nuno!

Blogadinha disse...

Quando os minutos indecisos cruzarem o silêncio das horas, toda a contagem será tempo passado.

Bonita temporalidade :)

Anónimo disse...

oitenta beijos
que desejo
oitenta passos
para dar
sorrisos aos molhos
que abraço
na esperança
das horas para amar

lindo o teu poema...

Sonia Schmorantz disse...

Lindo este poema!
abraço, ótimo fim de semana

Baila sem peso disse...

o tempo que passa
no teu poemar se embaraça
com tanta beleza
que lhe dás na certeza!

e o coração fica docinho
com toda a franqueza! :)

beijo