21.10.10

espelhos (para Faraj)


os espelhos têm dentro
os meus fantasmas
acordados, passeiam-se no vazio do reflexo
quando a minha cara não está
por vezes, os fantasmas saltam de face
trocam de lado, passam para cá
e entram no meu corpo
mordiscam-me a carne por dentro
aceleram o sangue morto
que estoura em golfadas, o coração
os espelhos riem-se livres
com brilhos e felizes
olhando para o meu corpo, já no chão
estendido abruptamente
em lençol de solidão
miram-se nele e vingam-se
arranjam os cabelos com dedos imaginados
sorrindo como gigolôs passados
e ares de falsos apaixonados
depois, convencidos e vaidosos
deitam-se nus e frios
com brutidão
deitam-se sujos e apagados
deitam-se ensonados
sem qualquer reflexão

1 comentário:

Susan disse...

Por vezes os espelhos tomam ares de vida e tornam-se fantasmas presentes ao espelho do olhos ,da alma ...
Poema reflexivo ,que bom Te ler !!!
Beijo