18.2.12

até ao amanhecer



tenho, uma meia lua, a espreitar à janela
e todo o tempo do mundo repousando à tua espera
tenho muitas estrelas verdes, a espreguiçar-se nos céus
e os teus olhos brilhando, dessa cor, nos olhos meus
tenho flocos de neve bailando leves ao vento
e o teu corpo inteiro a despir meu pensamento
tenho uma rua vazia a correr sob a varanda
e todos os dedos teus, no meu cabelo em demanda
tenho as paredes do quarto a dizer os meus segredos
e os teus pés já descalços em cursos ágeis e ledos
tenho kanklės* a vibrar no meu país adotado
e o teu sorriso ligeiro a passear no pecado
tenho os olhos fixados no espelho onde moras
e o perfume da pele trocando a ordem das horas
tenho chá, tenho poemas, tenho magias tremendas
e a outra metade da lua deitada desde as calendas
o alarme está ligado para não adormecer
os sentidos estão libertos e não desejam morrer
as minhas mãos estão suadas
as portas estão fechadas
as luzes foram roubadas
para ficares por aqui, esta noite, sobre o meu querer
as cores são delicadas
as quietudes, caladas
as bruxas, enfeitiçadas
até ao amanhecer

* instrumento musical tradicional lituano

2 comentários:

OutrosEncantos disse...

gosto de ler-te assim, doce; alguma vez te tinha dito?!
não?! mas olha que penso sempre :))

beijo meu.

NunoG disse...

que doçura ''OutrosEncantos''... OBRIGADO... beijinhos grandes!!!