2.5.12

descarrilamento


conto interminavelmente
as árvores que passam
pela janela da minha carruagem
vão dependuradas nas catenárias
pintadas com um verde manhã
acordado há pouco pelo sol
as árvores têm pássaros negros...
ainda dormem
com penas cansadas de voar
nos pesadelos dos carris
virgens
que não se abraçam nunca
que nunca se conseguiram tocar
contemplam-se...
num férreo amor de paralelismo platónico
que deixa Vilnius a uma hora e picos
do meu destino
adormeço...
e o poema que escrevo
(sacudido por um beijo violento)
acorda num comboio moribundo
tombado docemente sobre as linhas
entrelaçadas...

tiveram a sua primeira noite de amor
a cinco minutos de Kaunas

2 comentários:

OutrosEncantos disse...

ando aqui de roda de ti há que tempos.
de roda destes últimos poemas, tão lindos e sentidos que aqui nos deixas.
saio devagarinho para não estragar nada.
deixo-te um beijo de boa noite.
noite feliz.

NunoG disse...

beijinhos... "OutrosEncantos"