27.9.09

venha


venha
venha ensinar-me o amor
venha soletrar palavras
certas, curtas, ajustadas
venha construir em mim
sílabas arredondadas
que em carrossel de sentidos
me deixem sinais pedidos
nas trilhas tão desejadas

venha
venha murmurar dialectos
ponha-me tonto de afectos
vicie-me com seu fulgor
e me apague toda esta dor

quero ter adocicadas
promessas cor de compota
do fruto que não se esgota
nas almas apaixonadas.
venha, faça-as chuviscar
escorrendo, a deslizar
com leveza e com sabor.
derrame o seu calor
espalhando com prazer
os doces enamorados
acabados de fazer

venha
despeje sorriso em mim
venha abrir-me as janelas
guardadas por sentinelas
que cercam o coração.
venha, traga a sua emoção
entorne-a em enxurrada
pela minha pele gretada
por ausências de afeição.

venha
venha ensinar-me o amor
venha ser mulher flor
renascida em botão
na palma da minha mão

6 comentários:

Confesso disse...

Nossa! O que é isso que encontro aqui?
Lindo, lindo esse poema... realmente um presente em minha manhã de domingo...


Beijos adocicados...

gabrielle disse...

a caminho...



[beijo com sabor a compota de framboesa]

Menina do mar disse...

LiNdO :D

Moni disse...

O desejo de posse, a ancia de viver ,embebed'alma de quem ler, anciando por mais

bjos

Tenha um otimo dia

Baila sem peso disse...

e venho, venho deliciada
pela poesia tão delicada
venho pela simplicidade
dita com graciosidade!
lindo como sempre
o que o coração sente!

e vou e volto outro dia
que este já tarde se anuncia

a doçura de um carinho
em forma de um beijinho

Vieira Calado disse...

Há sempre coisa bonitas

nas gavetas...

Um abraço