10.3.11

Revolução geométrica

Quando adormeço
Soltam-se figuras geométricas
De muitos vértices, que riscam o sono
E ferem o silêncio com ângulos agudos
Que vomitam gritos quase rectos

Linhas semi-rectas esbarram no pensamento
A ausência de círculos
Impede o o contorno dos labirintos do passado
E pesadelos anacrónicos,
Saltam a sebe da consciência

De manhã, caos instalado no acordar
Restos de revolução, nos lençóis amarrotados
Com vincos de polígonos mortos
Vítimas de guerra sem papel
Generais sem minas
Procurando mm de carvão
Na alvura do terreno

Levanto-me da batalha
Faço a cama devagar
Lavo as mãos e chamo Pilatos
Antes de escrever mais um poema

2 comentários:

Bethânia Loureiro disse...

gosto desse teu jogo de palavras!
parabéns por escolhê-las tão bem.
bjos

NunoG disse...

obrigado Bathania, é bom ler as suas palavras...