25.7.11

aquela dança


aquela dança
aquela única dança
foi o lento despir do amor que o vestia
aquela dança
aquela última dança
onde o tempo se tornou equação
de matemática infinita
onde os dois corpos
pintados de escuridão
deslizaram esmagando a alma
desprotegida
recolhida
num canto pejado de multidão
aquela última dança
que o deixou sozinho
com um sorriso disfarçado
e uma lágrima furtiva
escorrendo no passado

e a música
morria devagar
completamente destroçada
por aquela última dança
violentamente roubada

2 comentários:

Anónimo disse...

uma multidão tão grande e afinal tão pequena...
mesmo assim, é muito bonito o teu poema.
um beijo.

NunoG disse...

muito obrigado...