15.2.11

o fim-das-coisas


Quero ver o fim-das-coisas
Quero ir cheirar o caos
Depois do incêndio dos corpos
E caminhar por destroços
Das casas que foram amor
Beber lava de vulcão
Em erupção cutânea
Suores frios escorridos
Pelo medo adormecido
Que a morte sempre traz

Quero meus dedos marcados
Na fuligem das memórias
Sobreviventes de histórias
Que me deixaram contar
Quero ter nas minhas mãos
O fumo do indelével
Ver a luz, o fim-das-coisas
Para depois vos dizer
Com ressuscitar de palavras
Como foi então morrer

2 comentários:

Susan disse...

Poema incrível de um desfecho muito forte e um final arrebatador que ficou martelando na minha cabeça ...
beijos
Susan

NunoG disse...

obg Susan