1.1.10

devaneio

(imagem: devaneio de Henri Matisse)

sabes, encontrei agora restos de sorrisos
que sobraram
encontrei laços descoloridos
órfãos de função
vi papéis de embrulho rasgados, perdidos
arrastados pelo vento
lambendo o chão.
o cheiro, agora bolorento
pousou numa toalha amarrotada
invadiu uma rabanada
e coloriu um pedaço de creme
queimado
pelo relógio que amargurado
silenciou ontem a décima segunda badalada.
o tempo dos abraços, acabou
o beijo que me deste, azedou
o livro repetido repousa em espera
ladeando o perfume com um cheiro sucedâneo, a primavera.
sabes, encontrei agora restos da felicidade
que perdeste, jogando cartas de saudade
encontrei uma lágrima brilhante
enfeitando o caminho onde vagueio
iluminando o meu devaneio
com uma luz densa e sufocante

11 comentários:

Anónimo disse...

doce devaneio
ouvir a tua voz...

irromper entre sorrisos
pe(r)didos,
entre restos de laços
descoloridos
ou em gestos destemidos
de corpos (finalmente) unidos

doce delírio
fantasia minha...

escutar contigo as badaladas
trocar beijos entre risadas
entrecalar nossos dedos
de mãos dadas
num sonho de almas desatinadas

Priscila Rôde disse...

"encontrei uma lágrima brilhante
enfeitando o caminho onde vagueio
iluminando o meu devaneio
com uma luz densa e sufocante."

Maravilhoso!

Sonia Schmorantz disse...

Fim de festa lembra restos, mas a lágrima brilhante foi a luz! Muito bonito!
beijo, ótimo domingo

Baila sem peso disse...

devaneio de felicidade
de tempo que falou verdade
iluminada pela lágrima
que chora ardente de saudade...

sempre a beleza a falar tristeza...

limpar o sorriso e espantar a dor
dar-mo-nos na alegria de nova flor!

deixo meu desejo, com um beijo

Humana disse...

Nostálgico mas muito belo, este teu devaneio!
Um beijo Nuno e um Bom Ano cheio de Paz, Amor, Saúde e muito Sucesso.

© Piedade Araújo Sol disse...

por vezes encontramos "coisas" que pensavamos ter esquecido.

um bom poema para abrir o ano.

bom ano para ti e com tudo de bom.

um beij

Obscuramente disse...

O amigo tem aqui um belissimo Blog, irei visitar mais vezes.

Tentarei comentar ler mais de si tambem no WAF.

Abraço

Fa menor disse...

Há sempre uma lágrima teimosa para nos estragar um resto de felicidade!

Bom Ano!

Confesso disse...

O verão lhe trará a alegria e esquecerás as toalhas amarrotadas e o beijo de outrora...

Uma delícia ler você... Sempre...

Beijo-Te...

Susan disse...

A lágrima que cai depois de findar um ciclo , neste caso o amor descrito no poema num tom triste e forte marcante nas horas mortas deste relógio amargurado ...
Intenso ,bom de se ler !!!
Beijo
Susan

Bethânia Loureiro disse...

Nossa Nuno que doce coincidência: Matisse e o Devaneio, rsrs

Seus textos são tão belos, tão intensos!

Parabéns!!

abraçosss