23.4.09

de olhos vendados


Vendo os olhos,
fecho as pálpebras
deito-me a adivinhar sentidos
dos caminhos percorridos,
dos trilhos calcorreados
por anos já decorridos.
Cem vezes foram pisados,
sem tempos foram perdidos,
cem casos desperdiçados
sem prantos foram sofridos.

Contorno esquinas de dor,
conto pedras da calçada
que pavimentam a alma,
à noite, pela calada.
Sei-as bem, sei-lhes a cor,
cada linha, sua textura,
seu escolho, cada fractura,
que tacteio com brandura,
evitando com candura
padecimentos de amor.

Procuro voz que me acalme,
Que me sossegue e me mime
que me leve desta estrada
onde sem querer me perdi.
Onde as casas sem janelas,
destas íngremes ruelas,
querem-me vendar com elas,
para não te ver a ti.

14 comentários:

AnaLuísa disse...

Procuro voz que me acalme,
Que me sossegue e me mime
que me leve desta estrada
onde sem querer me perdi.
Onde as casas sem janelas,
destas íngremes ruelas,
querem-me vendar com elas,
para não te ver a ti.
eu também :x

frAgMenTUS disse...

Querido poeta, adorei sobretudo a última estrofe deste poema intenso, introspectivo, mas com apelo ao amor...pois só ele nos permite des-vendar a alma, tatear o corpo e fazer-nos voar, semi-cativos em alguém...

A existência é feita de labirintos, ruas e ruelas mais ou menos sombrias mas todas elas convergem, se quisermos, para a luz do sorriso, para o afago de uma mão e para a doçura de uma voz.

Noite feliz e sempre grata por leituras assim. :)

Bj luz e paz

Maria Maria disse...

Muito bonita essa gaveta. Que sonhos, que lindeza de palavras. Posso te seguir?
Volto outra vez, meu caro Nuno.
Um abraço com palavras que sorri.
Maria Maria

Nanda Assis disse...

nossa, bem forte, bem sentido.
bjosss...

Anónimo disse...

Gostei deste poema de índole introspectiva onde há um apelo de amor que lhe subjaz:

"Procuro voz que me acalme,
Que me sossegue e me mime
que me leve desta estrada
onde sem querer me perdi"

De facto, a nossa alma tem meandros, nos quais se entrecruzam sensações, percepções e emoções que nos fazem perder, e reencontrar e nada melhor do que uma voz que nos ame, e gentilmente nos guie.

Um bj luz e paz

ana/fragmentus

Brunella França disse...

Gaveta mágica essa... Guarda sonhos e o que mais a gente quiser!

Beijos e borboleteios

Margarida disse...

está tão bom, identifiquei-me imenso : )

lua prateada disse...

Triste mas lindo, mas alguem que sofre e que vê a vida de outra forma e logo se pode constactar pessoa de coração cheio de amor e de dor mais um perdido deste universo...
Vive de maneira a poderes aprender a amar,
ama de maneira a poderes aprender a viver.
Não necessitas de nenhuma outra lição...
E como o FDS está aí então que seja ele para expandires teu coraçao.
Beijinho prateado

SOL

Fabricante de Sonhos disse...

Meu poeta!
Mais um lindo texto teu...

Abra teus olhos e veja quanto sentimento depositou em meu coração com teus escritos!
Simplesmente, belos!

Tenha um ótimo final de semana e fique com um beijo meu!

Fabricante...

Nilson Barcelli disse...

Olá Nuno.
Obrigado pela tua visita.
Li vários poemas teus e gostei muito.
Neste, vi a saudade com os olhos postos na estrada da distância. É um excelente poema, parabéns.
Voltarei mais vezes.
Bom fim de semana.
Abraço.

Marta disse...

Também procuro uma voz que me acalme...
Porque amar, mimar-se e ser-se mimado é essencial à vida...
Obrigada pela visita....
Até já
Beijos e abraços
Marta

Madu disse...

Identifico-me muito.
Madu

Susan disse...

Nuno que poema marcante ...
De olhos vendados a busca incessante por um abrigo , um bem amado ....
Maravilhoso !!!!
Beijos
ps: me vejo em teus versos ,como se fosse eu a escrever ....

NunoG disse...

obrigado Susan!