5.7.09

parado

foto: Susana Salgado Pires (http://www.olhares.com/)

parado, eu estou parado
sem vontade de esperar
parado sem sol sem lua
que iluminem uma rua
por onde eu possa passar

parado, capturado,
perfeitamente detido
insecto quase pútrido
envolvido numa teia
de rendilhado queimado
por ateada odisseia
que me deixa derrotado

parado, coração lento
com vontade de esgotar
baloiçando ao som do vento
anulando o batimento
que o vem alimentar

parado, dependurado
em ponteiro oxidado
de relógio solitário
por todos abandonado
e sem tempo p’ra contar

parado, eu estou parado
finjo que estou acordado
mas estou só a vegetar

9 comentários:

C. disse...

Poema suicida, diria.

Marta Vasil disse...

Um poema de palavras em solidão, paradas, sem se mexerem para procurar o brilho ofuscante do sol ou a suavidade do luar. Quando os ponteiros desoxidarem será mais fácil essa busca, não é?

Um bom resto de tarde de Domingo, numa Rua qualquer que não seja uma rua de gente só"

Beijinho

KOTTA disse...

Tenho dificuldade em comentar o texto pela amargura e tristeza que transmite.Espero não ser real.Mas prendeu-me a atenção. Um abraço.

Rabiscando disse...

As vezes nos sentimos assim, um vazio, um não ei o q, parado no ar deixando o tempo passar.

Gostei de vc!

1 beijo!

alma tua... disse...

como gostava de ter a tua riqueza de palavras,engrandecimento na escrita... está lindo!
um bj

Nanda Assis disse...

as vezes é preciso parar um pouco.

bjosss...

Laura disse...

Fantástico...

R* disse...

Gostei muito:)
"parado, eu estou parado
finjo que estou acordado
mas estou só a vegetar"
como compreendo..

Baila sem peso disse...

Parado, deixa tanto que pensar...
Um parado também pode ser a sonhar
Ainda que este parado, faça lágrima rolar...

espero que o relógio trabalhe em condição
como beleza tem, este poema do coração!